BRINCANDO DE AMAR...


08/05/2012


(NÃO SÓ O PEIXE MORRE PELA BOCA)

     Bom-dia. 
    Eu me chamo Ringstone da Silva. Sou casado, pai de uma linda criança, mas o importante, mesmo, é que eu sou um homem de Deus. Frequento a igreja há muitos anos e dela  tirei os ensinamentos que a bíblia confere aos justos. Foi na fé do senhor que eu aprendi o que era ser fiel no casamento. Aprendi a respeitar o direito dos outros. A entender as diferenças e mesmo que eu, por seguir as palavras de Deus não aceite o homossexualismo, a macumba e o estilo de vida das pessoas que frequentam bailes de carnaval, de funk e dos que são adeptos da bebida e da alegria incontida, eu me considero uma pessoa igual a todo o mundo, se não for mais especial. Portanto, senhor Marcos.  Eu sei que Deus me presenteou com esta vaga na sua empresa, e tenho a certeza que desempenharei muito bem a função que o senhor vai me confiar, inclusive, esteja certo, eu mudarei, para melhor,  a maneira de pensar dos meus futuros colegas. Aconselharei a cada um que siga as palavras do “senhor” e dentro do possível, que pregue essas mesmas palavras aos perdidos, aos que se acham desamparados, dando com isso, o testemunho da fé e da verdade. É, portanto, com base neste curto relato que eu lhe pergunto, senhor Marcos; onde e quando  eu começo a trabalhar nesta magnífica empresa da qual eu já me orgulho de fazer parte?

- Bem, senhor Ringstone. Como a minha secretária deve ter falado  e se não falou,  falará.  Infelizmente a vaga que era sua foi, por força de lei, cedida para um portador de deficiência física que começará na próxima segunda-feira. Essa pessoa foi atropelada por um carro, certamente dirigido por um bêbado que fugiu sem prestar socorro  quando deixava uma casa de show na madrugada do seu aniversário. Qualquer outra vaga que venha a surgir nós não esqueceremos do senhor.

- Passe bem e bom-dia.

silvioafonso

 

 

 


Escrito por silvioafonso às 18h46
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NOVA CASA, NOVA GENTE

    Uma sociedade é constituída de pessoas e leis, entre outras coisas. Em torno disso, hábitos e costumes são adquiridos. Um Deus, um juiz, um delegado de polícias e os que ele delega poderes serão a escora da lei. Um médico, um padre  e um banqueiro formarão a sociedade em questão. Uma casa de vários cômodos servirá para que os eleitos por essa gente a representem na criação de regras e leis para cumprir e respeitar. Algumas ranhuras haverão de acontecer, mas nada que a maioria não contorne e tire proveito para o desenvolvimento da ordem e do progresso. Com o tempo o padre, o Juiz e o banqueiro, assim como o delegado e os políticos com seus mandatos vigentes, envelhecerão. Perderão o ânimo pelo que fazem ou o tempo se encarregará de curvar-lhes os ombros com o cansaço ou invalidez próprios da velhice.  Com isso as peças trocarão de posição no tabuleiro, mas o jogo seguirá a pauta, e mesmo que as pretas não percam para as brancas, não as impedirão dos xeques-mate pretendidos.  A corrupção que antes espreitava o mandatário, certamente oferecerá um curso básico, intensivo, aos carrascos da nação em troca do poder e do dinheiro fácil, para si, para os parentes e amigos, quiçá amigos dos  parentes. A luta será desigual. O povo, ainda primitivo, pagará com o seu sangue  pelo atrevimento da pretensão de ditar ordens que dessem direitos iguais e deveres repartidos para todos. Sofrerá o povo que aplaude. O povo que ligou as massas do concreto com o seu suor, a sua juventude e os seus sonhos na construção de um futuro que não vem.
silvioafonso

 


Escrito por silvioafonso às 18h40
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OS CONTESTADORES

    Quando ele saiu da faculdade, era um menino de 19 anos, tão somente. Gostava de  ouvir a conversa dos  pais e dos avós só para rir dos impropérios. É claro que a sua  educação não lhe permitia rir de ninguém na frente de quem quer que fosse, principalmente das pessoas mais velhas ou das que gostasse. Continuou, ele, com o passar dos tempos, contestando algumas notícias, alguns professores, certos políticos, religiosos e os próprios pais e avós, devo confessar. Foi aí que ele conheceu a obra de Galileu Galilei  que por sinal foi a mordaça que calou a sua boca.
- Galileu era um matemático e astrônomo italiano que chegou para discordar dos gênios. Escreveu suas obras sobre Tasso e Dante,  e ainda jovem descobriu sobre a lei dos corpos e o  princípio da Inércia.  O renascimento científico dos séculos XVI e XVII, senão me falha a memória,  talvez não tivesse tanta expressão sem a sua tese e seus estudos.  Aristóteles sofreu nas mãos do italiano quando teve contestadas suas afirmações sobre a física, já que ele, Aristóteles fora o primeiro a fazer tal descoberta.  Galileu,  muito moço,  fez a balança hidrostática dando origem ao relógio de pêndulo. Criou a primeira luneta astronômica com base na informação da construção do telescópio.  Graças a muitos estudos passou a enxergar o Sol como centro do universo.  Foi acusado de herege pelo Tribunal da Inquisição tendo de se retratar dizendo que o Sol como centro do universo era uma hipótese, tão somente.
   Galileu sabia muito ou demais e talvez por isso tivesse, como rei das ciências exatas que era, argumentos para contestar provando o que dizia, enquanto o protagonista dessa história não passava de um jovem recém-formado em uma universidade pública e que nem o privilégio de tirar, uma vez que fosse, o primeiro lugar do grupo fora capaz e mesmo assim queria rir dos que tinham vivência e sabedoria. Eu não quero roubar desse moço o mérito da colação de grau, haja vista que as suas fontes de consultas eram  a bibliotecas, as bancas de jornais, os sebos, livrarias e os professores, dependendo da disponibilidade de cada um.
   Hoje, talvez fosse menos difícil ser gênio, mas seria necessário que os portadores de QI alto, disputassem, entre eles, a vitória sobre as doenças incuráveis como o câncer e fizessem por merecer o Nobel da Ciência, da Química e da Paz, pois na era da informática ainda são necessários muito estudo e pesquisa,  trabalho,  esforço e  dedicação,  suor e sangue.

   Dentro do possível encontraremos num futuro, a partir de agora, novos vultos como Aristóteles e Galileu. Caso perdure alguma dúvida, basta ler as placas e seguir o fluxo, ver os anúncios e clicar no Google. O resto é ter esperança e acreditar em Deus.
silvioafonso

Escrito por silvioafonso às 18h34
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GRANDE COMO CRIANÇA

Todo final da tarde a criançada se reunia no quintal de minha casa. Era um quarto, sala e cozinha, já que o banheiro comunitário ficava  no centro de um terreno de 60 metros por 15, que espremia da metade para os fundos quatro humildes moradias. De frente para a rua, escondendo a pobreza da vila, ficava a do senhorio; um ancião de 70 anos que mais parecia ter 90 pelo desgaste que o tempo lhe causara. Com um cachimbo pendurado na boca tentava e conseguia fumar a vida em longas baforadas empesteando de fumaça a vizinhança.  Pouco tempo depois o velho morria de enfarte provocado pelo fumo no banheiro de sua casa, único lugar aonde,  verdadeiramente, o senhorio se esforçava. Dona Bituh, sua mulher, morreu algum tempo depois abraçada a uma solidão que dava dó. 

     Nos fundos, aonde eu morava,  havia uma cerca viva, alta, com suporte de arame farpado aonde as plantas se dependuravam para olhar a menina de cabelos pretos e de olhos verdes  do outro lado da divisória. Todos os moleques, meus colegas, pretendiam namorar com ela, mas eu os impedia com falsas ameaças. Dizia que o seu pai era bravo e que a mãe jogava água fervendo em quem tentasse olhar através da cerca. Evitar a presença das crianças por ali seria burrice, pois sem  algazarra a garota não aparecia e eu não tinha como justificar a minha presença por ali.
    Certa vez eu escrevi um bilhete falando do amor que me apertava o peito. Amor gostoso de criança que não tem porque medir o tamanho dos sonhos. Eu prometia, em poucas palavras, que a esperaria crescer enquanto eu também cresceria só para me casar com ela. O bilhete ficou velho, amarrotado e rasgado no meu bolso. - Até hoje o tenho guardado na lembrança. Quando ela aparecia próximo da cerca, eu estava longe. Quando eu estava perto, ela não aparecia.
    O tempo se incumbiu de modificar meu corpo e o dela, assim como acirrava os meus desejos e os desejos dela. As minhas preferências e as suas possíveis escolhas se tornaram exigentes, mas a gente nunca soube o que queria.  Quando nos encontrávamos pela rua, ela se fazia acompanhar por sua mãe ou pelos irmãos que me olhavam de cara feia, enquanto eu fazia de um tudo para domar o meu chucro coração que escoiceava no haras do meu peito.
     Essa dor não doía como se dizia, mas sangrava. E foi sangrando que eu peguei, por acaso,  em minhas mãos um convite de casamento com o nome dela. Escondido no fundo da igreja eu a vi aos pés do altar me procurando entre os convidados. Foi assim, com ela me colorindo de verde com aqueles olhos, enquanto o padre pregava, que eu disse adeus ao bairro aonde fui criado. Embarquei no primeiro sono que fechou meus olhos e só fui abri-los longe, no alto da montanha de onde eu vejo o verde atapetando  todos os caminhos por onde eu ando e vou andar até que as paralelas do tempo se cruzem ou a saudade da infância me cale com a morte.
silvioafonso 

Escrito por silvioafonso às 17h09
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07/04/2012


BRINDANDO NO BAR

Desde o dia 31 o meu estado é de graça. Consegui, com um simples e humilde texto postado no Blog, Bar do Escritor,  reunir a nata dos meus amigos. Uma boa leva dessa gente se fez presente enquanto a outra chorava   os seus  lamentos no engarrafamento monstro das impossibilidades. 
- Amigos, vocês não pensem que eu os permiti longe de mim por qualquer que fosse o motivo. Pelo contrário. Nunca, em tempo algum eu os vi mais próximos que desta vez, quando os beijos, os aplausos, os abraços e algumas críticas se fizeram na postagem do referido texto. Em nome de todos vocês eu levantei um brinde pelo  sucesso conseguido naquela página. Comemorei o êxito da proposta e o beijo amigo, que Jesus, de Judas, não recebeu. Foram, portanto, alguns momentos de gala, de festa e alegria. Eu era feliz e sabia. Era querido e disso eu tinha, como tenho, certeza, assim como sou  grande no coração dos amigos que mentindo me chamam de sangue bom. De leal e verdadeiro, e o pior para eles é que eu sou e me honro disso.
Obrigado gente. Obrigado amigos. Obrigado Catiaho. Obrigado Bar do Escritor, obrigado irmãos.
silvioafonso

Escrito por silvioafonso às 09h25
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NÃO SÓ O PEIXE MORRE PELA BOCA

      Bom-dia. 
    Eu me chamo Ringstone da Silva. Sou casado, pai de uma linda criança, mas o importante, mesmo, é que eu sou um homem de Deus. Frequento a igreja há muitos anos e dela  tirei os ensinamentos que a bíblia confere aos justos. Foi na fé do senhor que eu aprendi o que era ser fiel no casamento. Aprendi a respeitar o direito dos outros. A entender as diferenças e mesmo que eu, por seguir as palavras de Deus não aceite o homossexualismo, a macumba e o estilo de vida das pessoas que frequentam bailes de carnaval, de funk e dos que são adeptos da bebida e da alegria incontida, eu me considero uma pessoa igual a todo o mundo, se não for mais especial. Portanto, senhor Marcos.  Eu sei que Deus me presenteou com esta vaga na sua empresa, e tenho a certeza que desempenharei muito bem a função que o senhor vai me confiar, inclusive, esteja certo, eu mudarei, para melhor,  a maneira de pensar dos meus futuros colegas. Aconselharei a cada um que siga as palavras do “senhor” e dentro do possível, que pregue essas mesmas palavras aos perdidos, aos que se acham desamparados, dando com isso, o testemunho da fé e da verdade. É, portanto, com base neste curto relato que eu lhe pergunto, senhor Marcos; onde e quando  eu começo a trabalhar nesta magnífica empresa da qual eu já me orgulho de fazer parte?
- Bem, senhor Ringstone. Como a minha secretária deve ter falado  e se não falou,  falará.  Infelizmente a vaga que era sua foi, por força de lei, cedida para um portador de deficiência física que começará na próxima segunda-feira. Essa pessoa foi atropelada por um carro, certamente dirigido por um bêbado que fugiu sem prestar socorro  quando deixava uma casa de show na madrugada do seu aniversário. Qualquer outra vaga que venha a surgir nós não esqueceremos do senhor.

- Passe bem e bom-dia.

silvioafonso




Escrito por silvioafonso às 09h20
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NOVA CASA, NOVA GENTE

Uma sociedade é constituída de pessoas e leis, entre outras coisas. Em torno disso, hábitos e costumes são adquiridos. Um Deus, um juiz, um delegado de polícias e os que ele delega poderes serão a escora da lei. Um médico, um padre  e um banqueiro formarão a sociedade em questão. Uma casa de vários cômodos servirá para que os eleitos por essa gente a representem na criação de regras e leis para cumprir e respeitar. Algumas ranhuras haverão de acontecer, mas nada que a maioria não contorne e tire proveito para o desenvolvimento da ordem e do progresso. Com o tempo o padre, o Juiz e o banqueiro, assim como o delegado e os políticos com seus mandatos vigentes, envelhecerão. Perderão o ânimo pelo que fazem ou o tempo se encarregará de curvar-lhes os ombros com o cansaço ou invalidez próprios da velhice.  Com isso as peças trocarão de posição no tabuleiro, mas o jogo seguirá a pauta, e mesmo que as pretas não percam para as brancas, não as impedirão dos xeques-mate pretendidos.  A corrupção que antes espreitava o mandatário, certamente oferecerá um curso básico, intensivo, aos carrascos da nação em troca do poder e do dinheiro fácil, para si, para os parentes e amigos, quiçá amigos dos  parentes. A luta será desigual. O povo, ainda primitivo, pagará com o seu sangue  pelo atrevimento da pretensão de ditar ordens que dessem direitos iguais e deveres repartidos para todos. Sofrerá o povo que aplaude. O povo que ligou as massas do concreto com o seu suor, a sua juventude e os seus sonhos na construção de um futuro que não vem. 

silvioafonso

Escrito por silvioafonso às 09h18
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12/03/2012


NEM SEMPRE POR EXCESSO

Muitas vezes eu pequei por excesso ou o excesso me induziu ao pecado. Em muitas outras eu pequei por omissão. O pecado apimenta a vida da gente, assim como as pequenas mentiras brincam de roda nas palavras das crianças. Cada um dos meus pecados teve um porquê diferente. Certa vez uma bela mulher mexeu com os meus hormônio e eu não tendo com o que prender a sua a atenção apossei-me da mentira como arma de sedução. Durante uma conversa deixei escapar que eu seria o que não tinha como provar.  Falei do meu passado brilhante, das minhas (falsas) conquistas e do meu futuro promissor sem permitir que os olhos dela escapassem aos grilhões dos meus. Quando a mentira foi descoberta, nós já tínhamos vivido uma esfuziante aventura e aquilo valeu muito a pena. Talvez ela tenha me considerado um cafajeste, mas um doce cafajeste com boa pegada, grande astúcia e razoável educação.  Lembro-me, com clareza, dos meus tempos de criança quando eu  lançava mão  da mentira como rota de fuga. Por algum motivo, se a minha mãe achasse que eu faltei com respeito a quem quer que fosse, ela cobrava um preço tão caro que o meu corpo ardia em resposta. Para evitar a dor da verdade eu mentia. Mentia olhando nos olhos e talvez por isso eu tivesse aperfeiçoado o estilo cafajeste para uso raro em momento especial, como um estepe ou um bote de salvamento.
Estes foram os meus excessos, e a omissão foi quando eu devia dizer não, e por preguiça de explicar a razão do não, eu acabava dizendo sim. É claro que tanto um, quanto o outro usado na hora errada, causa danos, muitas vezes irreparáveis.

silvioafonso. 

Escrito por silvioafonso às 10h48
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21/02/2012


VOCÊ NÃO É MAMÃE!

 

Ele provocava para que ela tomasse a atitude que tomou. Sempre que descobriam um motivo para discutir o caso que os mantinha juntos há cinco anos, ele se mostrava mais presente do que nunca. Ela cedia sempre que podia, mas desta vez não encontrou forças para desistir e mesmo sabendo que o final do relacionamento entre eles seria também o fim da vida dele, ela não desistiu, e hoje, 21 de fevereiro de 2012, o final que já era previsto aconteceu. Ela se trancou no quarto do casal e deitada se deixou até que as palavras se formassem em sua boca e com a coragem dos heróis declinou a sua decisão. Era, portanto, o final de um sonho onde só ele sonhava. Ele queria sentir o amor e o viveu do princípio ao fim da relação em toda a sua plenitude. Foi um amor de posse e desejo, de entrega e escravidão. Ele se entregava de corpo e alma, mas cobrava um preço que hoje ela concluiu que não valia pelo que pagava. Ela teria  uma vida próspera pela frente com ou sem ele e ele, no entanto, só viveria se fosse ao lado dela. Talvez fosse esse amor o mais incrível que surgiu. Talvez tivesse sido o mais forte, verdadeiro e bonito, mas era muito caro o preço que cobrava. Foi uma decisão tomada no final de muitas discussões quando ele e ela discordavam das ideias um do outro. Foi, portanto, necessário que algo fosse feito e ela fez.

silvioafonso

silvioafonso

Escrito por silvioafonso às 19h13
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20/02/2012


DOMINGO DE CHUVA

Um sonho lindo fez da minha noite a mais bela e suave das que  já tive e talvez por isso eu quisesse, quando acordei,   sair escancarando os braços ao sol para agradecer-lhe pelo domingo bonito que fazia. Queria dizer para os macambúzios que passassem pela minha porta o quanto tolerar é preciso. Que deixar a vida nos levar é imprescindível para uma vida calma e feliz.  Foi com dedo em riste junto à minha cara que alguém, talvez por não ter conseguido uma noite de sono como a minha, acusou-me de coisas que não fiz. Mencionou inconveniências que eu desconhecia como minhas e fez do meu domingo uma grande tempestade. Eu bem que tentei desconversar. Quis mostrar que os meus defeitos já tinham idade e peso suficientes para serem notados por quem me conhece  e falar neles não era de bom alvitre. Fiquei e estou bastante triste com a pessoa que apontou em  mim os defeitos que eu não tenho.  Aquele pecado não fui eu quem cometeu. Falei estas palavras olhando por sobre o meu próprio ombro enquanto voltava para o meu canto de onde não deveria ter saído.  Voltei, e através da fresta da janela eu grito a minha tristeza  para os passantes que sorrindo sem nada entender,  continuam nos seus próprios devaneios.
silvioafonso

Escrito por silvioafonso às 10h52
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15/02/2012


MUITOS ENTRE TANTOS

Desde que fui convidado para postar,  que luto para manter o meu trabalho entre os primeiros da página ou no máximo até a metade, pleiteando com isso ser visto e lido pelo visitante, já que um punhado significativo de escritores se acotovelava na sala de espera com os seus textos prontos para colagem. Hoje, eu sou um dos primeiros e no máximo na quinta posição eu vejo a minha crônica. Tenho, portanto, muitos motivos para estar feliz e triste ao mesmo tempo, já que sou um dos poucos remanescentes nesta bagaça.  Aqui você só fica por força da sua escrita, por amizade do caseiro ou por pirraça. Caso contrário, dança. Assim como muitos que por aqui passaram e agora valsam em outros salões. Eu não generalizo, é claro, pois conheço alguns ótimos cronistas que deixaram a página por discordarem de algumas coisas, por doença ou por falta de tempo.
O resto, como diz o substantivo, é o resto e tenho dito.
silvioafonso.

Escrito por silvioafonso às 07h31
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SEM CENSURA

A minha escrita não está em questão, mas tem certos textos que me dão a impressão de pertencer à outra pessoa, quem sabe a um cronista renomado, que nem sempre nos privilegia com a coerência de suas palavras.  Quando acontece de um texto desses levar no rodapé a minha assinatura, eu o leio e releio sem a menor preocupação com a concordância, com os acentos gráficos e com a pontuação que dá ênfase a palavra, que exalta um pensamento e dá sentido à oração. O importante é como eu deixo a coisa fluir.  Nestes momentos eu quero um mural aberto. Uma escola pública em dia de festa.  Um palanque, um blog que não me conteste. Eu quero ver o olhar brilhando na cara dos que têm sede de saber, mas infelizmente nem sempre uma boa ideia me surge. Nem todos os dias ou até mesmo uma vez por semana esse tipo de sorte acontece comigo. Faz tempo que eu não me apaixono pelo que faço, mesmo sabendo que eu só faço o que acho que faço bem. Alguns amigos até se dão ao trabalho de deixar a cadeira de onde estão descansando os seus traseiros para de pé aplaudir o cara que vive do sorriso do amigo e da mentira que os meus ouvidos adoram escutar.
silvioafonso

Escrito por silvioafonso às 07h28
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TERÇA COM RODRIGO

Antigamente a natureza era mais bonita e próspera, mas parece que o tempo mudou esse quadro quando curvou de cansaço o meu corpo, enrugou a minha cara, coloriu de branco os meus cabelos  e deu às folhas e aos frutos o agrotóxico que nos mata.  Hoje em dia até matar os pais os filhos são capazes, para antecipar a herança prometida.  Hoje a gente já  nasce com os olhos abertos. Eu levei muito tempo para abrir um e do outro eu já não tinha pressa.  Viajar por entre as estrelas e no fundo, bem no fundo do mar buscar o petróleo para enriquecer, a gente já  pode e faz.
As coisas mudaram muito, estão melhores. Hoje as crianças aprendem com mais facilidade e o resto sabe de tudo e de todos sem constrangimento, vergonha. 
Até pouco tempo eu tinha dificuldade para ler a grande quantidade de textos dos colunistas desta casa que enfileiravam a espera do seu dia pra postar. Os momentos que eu tinha para o café, eu usava para ler FernandoKiro, Faa, Jota, AntônioSimoneLupo, Lili, Rosa, Ique e outros que não ficarão zangados por não terem seus nomes citados, assim como leio o remanescente dessa turma, com imenso prazer. Hoje dispomos de uma meia dúzia de colaboradores, da melhor estirpe, eu sei, mas que não soma aquele número de antigamente.   Lupo escrevia  com letras de ferro em brasa. Simone pulsava nas veias, atrevida.  Enquanto Kiro versava sem medo como valsam as bailarinas. Fernando abria sobre as máquinas o conhecimento da sua e a gente, com ele, se sentia protegido.  Eu tenho, portanto, saudades do louro dos meus cabelos. De colher e comer a fruto no pé. De ouvir poesias da boca de umas e de ouvir verdades, quiçá mentiras, dos lábios de outras. Tenho saudades, portanto, mas não paro para pensar. Sigo em frente porque atrás vêm os que se deixaram ultrapassar.

silvioafonso

Escrito por silvioafonso às 07h26
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05/02/2012


POR QUE?

Hoje ele exulta de felicidade. Depois da escolha da mulher certa entre tantas tão distintas, educadas e tão belas, escolheu a que melhor o aprazia. Mudou-se com seus trapos para baixo das asas dela e só agora, depois de tanto tempo ele descobriu que a sua mãe querida era ela. Andou brigando com gente perigosa, marginal e vagabunda, mas ninguém o atingiu tão forte quanto esta moça o acertou no peito. Antes dela ele frequentava as festas, os bares e as boates, tomava    cerveja com mulheres ricas, pobres, freira ou vagabunda, mas ninguém tinha os defeitos e as qualidades que só ela tem e das quais escravo se tornou. Ela é pura e santa nas horas certas e nas erradas o beija como quem tem fome, o pega e o larga como que mulher ele fosse e ela fosse o homem.  Ela ri pedindo mais e ele chora na hora H, mas as mulheres que o conhecem sabem que ele não chorará quando  falhar. Diz  isso e fala aquilo por tê-la ali agora, ao seu lado. Não diz o que não deve ou ela não o  deixaria sossegado. Está feliz, não nega, dando gritos de alegria. Quanto aos outros o meu respeito - diz ele, bom domingo e bom dia.

silvioafonso

Escrito por silvioafonso às 20h11
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AQUI JAZ.

Eu já disse adeus a muita gente. Pessoas que de mim gostavam e com esta atitude acabei por molhar de lágrima os olhos delas. Pessoas que ficaram felizes com a minha saída, pois a elas eu deixei meus cargos ou aqueles que nem  tomaram conhecimento da minha existência e  por isso nada de bom ou de ruim causei a eles com a saída. Já deixei amigos que choraram por mim e mulheres de muitos amores. Deixei mãe e filhos distante aos cuidados de outras pessoas e deixei morrer no tempo a minha juventude. Como falei, eu já disse adeus a muita gente neste mundo, assim como sofri e até vibrei em alguns casos quando um adeus a mim foi dirigido, mas tomar conhecimento de um adeus quando tudo ia tão bem no  trabalho, nos acordos feitos dentro e fora do bar, em minha casa em dia comum ou de festa,  na casa dele quando lá ficamos entre amigos e irmãos é de  estranhar. Parece coisa de doido, brincadeira de maluco.  Foi assim que eu perdi um amigo com quem eu dividia o meu sorriso. Os segredos do meu coração e as aventuras que  ousamos. Foi assim, sem saber detalhes que eu recebi a notícia de que o meu amigo mais bonito, inteligente e mais fiel acabara de morrer. Morreu do meu futuro, mas não morrerá jamais do meu passado, mesmo que dele eu não esqueça e que até chore quando os momentos em que, com certeza com a minha família ele celebraria como o mais feliz.

silvioafonso

Escrito por silvioafonso às 20h10
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